Não sei muito bem descrever o amor, ou o que se sente quando se está apaixonado por alguém,só sei sobre as reações, frases feitas, suspiros, caras de paisagens, conversas entediantes, apelidos idiotas, mudanças de habito,e eu particularmente não gosto de mudanças, portanto, tudo muito desconhecido pra mim.
Nos últimos tempos tenho presenciado mais de perto um sentimento que por horas me fez sentir falta do que nunca tive, e que até então me vangloriava por não tê-lo. Vi um amor tão simples e que é tão certo, passando por tantas dificuldades, dificuldades essas que me parecem inevitáveis (considerando que o sentimento mais forte que eu tenho é a preguiça) mas que ao meu ver,pra um dos lados não existe dificuldade alguma, é realmente simples e certo como parece ser, mas para o outro lado é realmente inevitável.
Tentando nomear um lado do outro, vou chamar de razão e coração, todos sabem do velho dilema sobre razão e coração, então o coração reage ao amor simples e certo do qual parece se alimentar, e a razão ignora esse amor, mesmo sabendo que ele existe, é como se não alimentasse todos os desejos dela. Mas me pergunto se é inevitável que a razão queira mais do que o coração tem a oferecer, ou se o mundo e seus costumes fizeram com que ela exigisse mais.
De certo modo, pelo meu histórico “insensível” eu entendo e apoio a razão, mas se torna necessário pensar sobre o assunto,assistindo de camarote o coração desconsolável ao ver que todo seu querer é alheio as vontades da razão.
A razão quer viver acima de sentir, quer presença, quer matéria, quer mais do que sua mente disponibiliza, quer materializar tudo o que sonhou, o que imaginou, mesmo que pra isso ela tenha que abrir mão do principal “objeto”, o coração, a razão tem tanto desejo pela vida que passa diante dos olhos, que não parece se importar com quem materializará os sonhos que sonhou com o coração, ela agarra despejando todas as suas vontades obrigatoriamente reprimidas à o que estiver disponível e lhe agradar parcialmente.
Enquanto isso o coração em silêncio tenta reprimir ao máximo sua vontade de gritar e despejar no mundo a sua dor, afinal, como ele mesmo diz, essa é uma dor só sua, e cabe apenas a ele lidar com ela. O que torna esse ato mais belo do que realmente é, é o fato de que o coração sabe que em cada pedaço que se parte, a razão sente,e se esquiva de viver sua própria vida, tentando proteger o coração, e para evitar que sua dor solitária afete a felicidade de quem ele ama, o coração se cala, fantasia alegrias, para que a razão se distraia com seu sorriso, e seus pedaços caiam despercebidos no caminho,enquanto caminham pela mesma estrada, se distanciando talvez sem perceberem.
E talvez ao longo dessa caminhada se encontra o fim, e como tudo o que é clichê no amor, a única explicação a ser dada é uma frase tão clichê quanto: É a vida...
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É aí que acaba a beleza da história, cada um em seu caminho, mas ninguém conta o percurso, existe um que caminha de cabeça baixa, existe um que carrega toda a dor, existe um que ainda sofre, e seguirá talvez todo o percurso sofrendo.
E eu em meu pico de questionamentos, que jamais obterão respostas, me pergunto, até que ponto uma pessoa merece o sofrimento da outra? Quando é a hora e o que tem que acontecer pra não existir mais dor?
Nunca passei por isso e desconfio que nunca terei de passar, sou sentimentalmente incapacitada. E seguindo meu raciocínio, um tanto quanto falho,confesso, começo a entender a mente de alguns homens, e mulheres também, por que não? Passar tanto tempo à mercê da dor,e como proteção tornarem-se pessoas “frias”. É quase compreensível pessoas que “não prestam”, alguém estragou a parte pura. Mas por que todos que um dia sofreram chegam à conclusão de que é melhor seguir uma vida vazia? Quanto eles têm que sofrer pra perceber que o desapego é mais próximo da felicidade?
Ainda que o “coração” tenha a possibilidade de se tornar “razão” de tanto sofrer, acredito que esse amor em especial, que me tocou, me invejou, nesse, eu acredito.
E toda vez que se ouve o tom da voz dele quando fala dela, como alguém que fala de algo maior, com encantamento, faz acreditar que por mais voltas que a vida dê, algumas pessoas são feitas para ficarem juntas no final.
