terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rocha

Tô cansada de nunca sentir nada, de ser sempre a rocha mais quente e acolhedora, ainda que impenetrável.
Quero sentir, quero os nervos à flor da pele, quero o calor do ódio me fazendo sentir mais do que raivas momentâneas, cansei de ser tranqüila e a mosca morta que nunca se incomoda com nada, quero inimigos, porque cansei dessa cumplicidade absurda com quem nada merece, e cansei de não me abalar com nada, de não me partir ou derreter com nenhuma atitude cruel ou romântica.
Essa forma fácil que vejo a vida, esse desapego que me agarro sem perceber, nada nunca doer demais que eu não saiba que o tempo cura, quero sentir uma dor tão forte que pareça infinita, mesmo que não seja, quero pensar que preciso de alguém na minha vida, não suporto mais usar corpos sem dar o mínimo valor pra eles, quero precisar de outro corpo junto do meu, mesmo que só me iluda com a reciprocidade.
Preciso me sentir intensa, mesmo que de um modo negativo, porque essa história de ser o modelo de sentimentos que todos queriam ter, me deixa monótona, me deixa morna, quero sentir o gosto de magoar e ser magoada.
A justificativa pro meu jeito de ser poderia ser medo de me machucar, afinal medo é um sentimento intenso, poderia ser só um jeito de me proteger dessa vida que acontece sozinha, sem que possamos controlar, mas não, nem isso.
Não odeio e não amo.
Não sinto dor, e nem prazer.
Não sou triste, mas também não sou feliz.
Não respiro fundo, nem suspiro.
Sou talvez um eterno meio termo.
Não sou a melhor companhia do mundo, mas sei que não sou uma companhia desagradável, nem necessária nem dispensável.
E por fim, sou tão meio termo, que mesmo isso me incomodando, não me tira o sossego, não me faz ter reação alguma.
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Razão & Coração

Não sei muito bem descrever o amor, ou o que se sente quando se está apaixonado por alguém,só sei sobre as reações, frases feitas, suspiros, caras de paisagens, conversas entediantes, apelidos idiotas, mudanças de habito,e eu particularmente não gosto de mudanças, portanto, tudo muito desconhecido pra mim.
Nos últimos tempos tenho presenciado mais de perto um sentimento que por horas me fez sentir falta do que nunca tive, e que até então me vangloriava por não tê-lo. Vi um amor tão simples e que é tão certo, passando por tantas dificuldades, dificuldades essas que me parecem inevitáveis (considerando que o sentimento mais forte que eu tenho é a preguiça) mas que ao meu ver,pra um dos lados não existe dificuldade alguma, é realmente simples e certo como parece ser, mas para o outro lado é realmente inevitável.
Tentando nomear um lado do outro, vou chamar de razão e coração, todos sabem do velho dilema sobre razão e coração, então o coração reage ao amor simples e certo do qual parece se alimentar, e a razão ignora esse amor, mesmo sabendo que ele existe, é como se não alimentasse todos os desejos dela. Mas me pergunto se é inevitável que a razão queira mais do que o coração tem a oferecer, ou se o mundo e seus costumes fizeram com que ela exigisse mais.
De certo modo, pelo meu histórico “insensível” eu entendo e apoio a razão, mas se torna necessário pensar sobre o assunto,assistindo de camarote o coração desconsolável ao ver que todo seu querer é alheio as vontades da razão.
A razão quer viver acima de sentir, quer presença, quer matéria, quer mais do que sua mente disponibiliza, quer materializar tudo o que sonhou, o que imaginou, mesmo que pra isso ela tenha que abrir mão do principal “objeto”, o coração, a razão tem tanto desejo pela vida que passa diante dos olhos, que não parece se importar com quem materializará os sonhos que sonhou com o coração, ela agarra despejando todas as suas vontades obrigatoriamente reprimidas à o que estiver disponível e lhe agradar parcialmente.
Enquanto isso o coração em silêncio tenta reprimir ao máximo sua vontade de gritar e despejar no mundo a sua dor, afinal, como ele mesmo diz, essa é uma dor só sua, e cabe apenas a ele lidar com ela. O que torna esse ato mais belo do que realmente é, é o fato de que o coração sabe que em cada pedaço que se parte, a razão sente,e se esquiva de viver sua própria vida, tentando proteger o coração, e para evitar que sua dor solitária afete a felicidade de quem ele ama, o coração se cala, fantasia alegrias, para que a razão se distraia com seu sorriso, e seus pedaços caiam despercebidos no caminho,enquanto caminham pela mesma estrada, se distanciando talvez sem perceberem.
E talvez ao longo dessa caminhada se encontra o fim, e como tudo o que é clichê no amor, a única explicação a ser dada é uma frase tão clichê quanto: É a vida...
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É aí que acaba a beleza da história, cada um em seu caminho, mas ninguém conta o percurso, existe um que caminha de cabeça baixa, existe um que carrega toda a dor, existe um que ainda sofre, e seguirá talvez todo o percurso sofrendo.
E eu em meu pico de questionamentos, que jamais obterão respostas, me pergunto, até que ponto uma pessoa merece o sofrimento da outra? Quando é a hora e o que tem que acontecer pra não existir mais dor?
Nunca passei por isso e desconfio que nunca terei de passar, sou sentimentalmente incapacitada. E seguindo meu raciocínio, um tanto quanto falho,confesso, começo a entender a mente de alguns homens, e mulheres também, por que não? Passar tanto tempo à mercê da dor,e como proteção tornarem-se pessoas “frias”. É quase compreensível pessoas que “não prestam”, alguém estragou a parte pura. Mas por que todos que um dia sofreram chegam à conclusão de que é melhor seguir uma vida vazia? Quanto eles têm que sofrer pra perceber que o desapego é mais próximo da felicidade?
Ainda que o “coração” tenha a possibilidade de se tornar “razão” de tanto sofrer, acredito que esse amor em especial, que me tocou, me invejou, nesse, eu acredito.
E toda vez que se ouve o tom da voz dele quando fala dela, como alguém que fala de algo maior, com encantamento, faz acreditar que por mais voltas que a vida dê, algumas pessoas são feitas para ficarem juntas no final.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Ela tinha um nojo da dualidade de intenções dos seres humanos que ora amam, ora usam, e preferia a clareza da sacanagem e a certeza do vazio.

-Tati Bernardi.
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sábado, 15 de maio de 2010

Simples e belo


A vida é fácil, é simples...
Teoricamente, sim, se temos o suficiente para sobreviver.
O caso é que poucos conseguem ser felizes com o que tem, levam muito em conta o que falam, importam-se muito por não ter o que os outros tem.
Penso que seria muito feliz com um lugar só meu e dinheiro suficiente para sobreviver, o básico da minha sobrevivência seria: alimento, contas básicas de uma casa, e bebidas.
Sei que seria feliz trabalhando com um emprego simples, mas que não fosse um fardo, recebendo pouco para fazer o que gosto, com pessoas que me fazem bem, e por falar em fazer bem, chegar em casa afim de conversar, e poder ligar para alguns amigos, beber e conversar, ainda não criaram nada mais prazeroso para um grupo de amigos.
Quando não quiser fazer nada, apenas vegetar, sem satisfações pra dar a ninguém, mandar se lixar aquele que diz que você não faz nada da vida, que está perdendo a vida ali. Guardar uns poucos e bons amigos íntimos, aqueles que quando você quer vegetar e manda eles se lixarem, te agarram pelo cabelo e arrastam aonde quiserem, o doce gosto amargo da intimidade, te incomoda, mas te diverte.
Amigos... Por falar neles, o que seria de uma vida sem amigos?
Leve, simples, essencial. Tão fácil e necessário quanto respirar.
Não existe amizade dramática, ela serve pra tirar o peso dos problemas, o peso de um amor quem sabe, se eu tivesse que definir a amizade e o amor, seria, amizade é a hora em que se bebe, é caloroso mesmo quando todo o resto é frio, tudo é mais divertido, a risada é mais solta, entrega-se com mais facilidade, há mais atenção ao ouvir o outro... O amor seria a ressaca, ou algo que em excesso te faz mal, como alguém que bebe sem autocontrole, momentos divertidos que cedo ou tarde se tornaram em uma dor de cabeça, em arrependimento, e uma vontade súbita de por tudo pra fora, o mesmo que te fez bem, agora não te importa tanto, tudo o que deseja é acabar com aquele sentimento que te deixa confuso, tonto, com a cabeça pesada, sem forças... E falo isso baseado nas minhas experiências, com bebida é claro, considerando o fato de nunca ter amado alguém nesse sentido.
Pode haver quem não concorde comigo, mas no meu ponto de vista o que faz mais feliz são coisas simples e belas...
Simples como a amizade, que com naturalidade você se entrega, diverte, sem dramas, felicidade e ponto. Bela pelo sentimento de liberdade, pelo momento que você depara com os olhares sinceros trocados com um sorriso no rosto, com o momento seguinte a uma história engraçada, em que todos soltam uma risada gostosa... A vida assim como a amizade, é simples e bela, só precisamos parar de complicar.
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terça-feira, 4 de maio de 2010

Supposed to be


Fomos predestinados a ser quem realmente somos?
Ou será que tem alguma chance de existir um erro e acontecer uma troca de almas?
Por que às vezes sentimos como se não pertencêssemos a nossa própria vida?
Temos vontades que estão fora do nosso alcance, e todas aquelas frases de auto-ajuda não fazem sentido algum,
porque “não desistir de lutar” não vai te tornar mais forte,
“seguir sempre em frente” não vai fazer você chegar a lugar algum,
e “levantar a cabeça e sacudir a poeira” não vai mudar a sua visão do nada, e nem limpar a situação,
quando dizem que “milagres acontecem” e você tem a absoluta certeza de que o seu milagre é mais impossível do que um “levanta-te e anda” a um aleijado.
Por que o desejo de sumir substitui o desejo de viver?
Ou por que sua insatisfação com sua própria vida não é suficiente pra que o desejo seja morrer?
Já sentiu como se estivesse vendo sua vida numa cadeira de cinema, vendo a si mesmo como um ator que não sabe atuar na própria vida?
Me senti exatamente assim uma vez, estava sob o efeito de alucinógenos, me vi vivendo uma vida que não era minha, me perguntava desesperada por que eu não me movia, por que não existia mais força de vontade para ser quem sou por dentro, abismada por não conseguir transparecer a pessoa que vive dentro de mim.
A pessoa que há em mim não se importa em ser julgada, despreocupada, sem dramas, ela grita, ela bebe, fuma, não tem medo de errar, magoa por que não engole suas dores como espinhos que machucam só a si mesma, para a pessoa que vive em mim, não há palavras de perdão que curem a dor de machucar um ser amado,luta por seus interesses e ideais, ela chora, ela foge, anda sem rumo, é livre.
Sóbria, vejo minha vida do meu exato ponto de vista, presa nas janelas da alma, janelas de aço, o reflexo de um vazio, atrás se esconde minha alma, com medo da liberdade, poucas vezes com vontade suficiente para tentar sair, lutando em vão na tentativa de ultrapassar o aço.
As vezes me pergunto se quem olha nos meus olhos é capaz de perceber a batalha que se trava atrás do olhar seguro.
É lamentável que em tão poucas vezes eu tenha sido quem eu supostamente deveria ser.
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domingo, 2 de maio de 2010

Zonas do coração


Existe uma zona no meu coração que é inabitável...
Basicamente meu coração é composto por 3 zonas,
zona da família,zona dos amigos, e a zona que é uma zona!
A zona da família é separada em 3 partes:
•Parte 1 (pai, mãe, irmãos),
•Parte 2 (avós, tios, primos, etc.)
•Parte 3 é a divisa da zona família e zona amigos - ali habita os familiares que são também amigos, os que estão nessa parte são privilegiados e estão em uma das duas partes anteriores também.
Zona amigos é dividida em apenas duas partes:
•Parte 1 onde estão os amigos chamados “de verdade” - esses estão confortáveis, um lugar amplo, open bar e vista pros momentos mais inesquecíveis da minha vida, momentos bons e ruins, mas a vista é extremamente linda, de tirar o fôlego! Esses vão estar ali pra sempre, independente da distancia, e rumos que a vida toma.
•Parte 2 - é confortável e especial também, mas é bem apertadinho na verdade, algumas boas histórias se residem ali junto deles, mas esses nunca viram minhas lagrimas, e todos sabem que lagrimas não caem só na tristeza.
Enfim a ultima zona, a zona da zona - ali é uma bagunça e tanto, mas ninguém nunca passou por ali, é bagunçada porque ainda não foi entendida, nem mesmo eu que sou a dona do coração sei como colocar em ordem,
é onde deveriam se localizar os amores, então por que nunca foi habitada?
Não faço idéia!
Essa zona criou um tipo de hardware muito poderoso, que elimina qualquer possível ameaça que tente entrar, é um hardware tão forte que quando alguém da parte 2 da zona amigos tenta violar a segurança da zona “zona” sem pedir permissão, aliás, mesmo pedindo permissão, esse hardware não só afasta o indivíduo, como tem a capacidade de eliminar ele de outra zona, ou seja, o individuo que tenta passar da zona amigos pra zona da zona, é expulso e afastado do meu coração... Muito complexo? Eu sei... Mas existe coração fácil de entender?
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The Start


Um dia desses uma amiga estava divulgando seu blog pros amigos, e conversando ela me falou que eu deveria fazer um blog também, mas eu refleti:

- Eu não tenho como falar de sentimentos que eu não sinto.

Pois é, mas só porque eu nunca tive uma dor de cotovelo, nunca suspirei amores impossíveis, ou nunca acreditei em promessas de amor ditas ao meu ouvido, não quer dizer que eu não tenha como falar de sentimentos, ou de momentos, ou falar de qualquer coisa que eu queira.

Não sei rimar, não sou poeta, eu nem mesmo sou bem alfabetizada, é provável que quem venha perder tempo aqui vá ler bobagens, mas quem sabe algo em mim toque as pessoas, algo além de minhas mãos - leve isso pro duplo sentido, ou não.

Vamos ver no que dá...


Be free for life.

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