terça-feira, 18 de setembro de 2012

I Don't Wanna Miss A Thing

A maioria das coisas mais relevantes e bonitas que já escrevi foram nesse horário, a solidão e o silêncio da madrugada nos permitem ouvir pensamentos que passam despercebidos durante o dia.
Seria muita pretensão minha falar sobre escrever algo, quando tudo o que faço nesses momentos é escrever o que penso, claro que um pouco filtrado, já que os pensamentos são uma bagunça que as vezes não dá de traduzir em palavras, e as vezes são pensamentos só nossos, que certamente seriam mal interpretados se tentassemos explicar.
Bom, considerando a minha dificuldade em proferir palavras, a minha voz exitando, trêmula e gaguejante, os meus olhos inquietos que não conseguem sustentar um olhar, me apoio então ao fato de conseguir usar uma caneta, sabendo a quem endereçar o texto, mas sem ter uma noção exata do que colocar nele, me baseando em um par de sentimentos bons que me invadem na maior parte do tempo em que estas ao meu redor.
Estou quase convencida de que esse seja o sentimento mais “mágico” que lembro ter vivenciado, daqueles que te prendem num momento simples, ou que fazem você cometer algumas loucuras e correr alguns riscos.
Fazer coisas insanas não é algo que me intimida, o que me amedronta é correr riscos, e me ver seguindo sua cartilha de “fazer o que tem vontade”, me importando apenas com o agora.
Sempre fui adepta dessa mesma lição de vida, mas nunca estive tão envolvida na magia do momento quanto me vejo agora, e esse descontrole sobre minhas emoções, sobre minhas demonstrações de afeto, conseguem ser mais fortes que meu autrocontrole gélido que aninhava minha consciência.
É como se esse turbilhão de sentimentos que assombra a tua personalidade cativasse de forma irreversivel esse vicio de me adaptar ao teu jeito, de adimirar até os seus defeitos, de me irritar com tua confusão interna, e de tentar compreender suas sessões de auto tortura.
Não, não existe nada a ser mudado em você, mas existem pontos a serem melhorados, como existe pra todo mundo, mas seu maior erro é não se aceitar, te falta um pouco de revolta com o mundo, te falta gritar suas magoas para que o mundo inteiro ouça sua insatisfação, e que esse grito de libertação calem as vozes que inibem sua personalidade, vozes essas que desmerecem tamanha atenção e dedicação que reservas a elas, esquecendo até de ouvir tua própria voz.
Que um dia sejas capaz de te deixar contagiar pela sua própria risada, como contagias a todos os outros, que um dia cada uma das risadas que te entregam, tragam ao menos metade da felicidade que mereces, que encontres quem mereça a rendição da tua risada mais encantada.
E que independente do rumo que essa nossa “coisa louca” siga, que sejamos capazes de guardar a liberdade que nos proporcionou, as lições que tiramos, a segurança no caráter de um outro alguém, e que um dia no futuro, ao lembrar dos momentos, ainda possa existir uma pontinha nostalgica dessa dor no estomago.
Pois só com você eu consigo fixar meu olhar, mesmo que eles estejam assustadoramente perto um do outro, olhar nos seus olhos, de igual pra igual, sem medo de má interpretação, só com você existe uma proximidade incomum pro meu ser, por ser mais próximo que minha defesa costuma permitir, só com você meus sussurros tem mais a dizer que meus gritos, só com você o tempo passa voando, incapaz de fazer eu me enjoar da tua presença.
“De amigo a gente não enjoa.”
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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Xaxegou!


Se nos momentos de felicidade eu não estou ao seu lado, não é porque não te valorizo mais, é apenas porque dei preferência aos momentos difíceis, é bom te ver sorrindo e doloroso te ver chorar, mas quero mesmo é ser a pessoa que te faz sorrir quando a tua vontade é chorar.
Há 1 ano, nesse mesmo horário, te ouvia chorar no telefone,me dizendo que não queria comemorar, que ia ficar em casa, e de alguma forma te ouvir chorar me fez ser grossa o suficiente pra conseguir te tirar de casa.
Ás vezes amizade é isso, é pegar pelos cabelos e dizer o que tem que fazer, sabe, ás vezes a cabeça oca, a má influência, a porra louca, a rebelde que só faz coisa errada, sabe o que é melhor pras pessoas que ama, e se aquela noite não foi uma noite feliz, tenho certeza que as poucas amigas que se reuniram contigo aquele dia fizeram de tudo pra tornar a melhor noite possível.
Quero estar presente em todos esses futuros anos de envelhecimento, nesses que agora são comemorativos e felizes, e nos futuros, que vou rir quando tu soprar 300 velas, bem velhinha sem fôlego pra apagar nenhuma, e tirar foto quando a tua dentadura cair em cima do bolo, e a Helena ficar brava porque tu estragou o bolo que ela fez, ou na crise dos 30, que todo mundo começa a mentir a idade. De qualquer forma, você vai ter que me engolir.
Lembrei de quando nós três estávamos deitadas no sofá do shopping, conversando sobre como seremos quando estivermos caquéticas, indo as compras enlouquecendo os vendedores, e tu falando que iam estar tu e a Helena, sentadas no sofá em casa vendo TV, a Helena fazendo tricô, e tu apontando pra TV dizendo: olha a Rany ta no protesto pelada.
É lindo a imagem que tu tem de mim, comovente eu diria, mas falando sério, é bonito porque somos o exemplo de aceitação, aceitar o egocentrismo da Helena, a tua indecisão com absolutamente tudo, e aceitar tudo de podre que existe em mim, (não vou fazer lista, ok?), aceitar as diferenças de um amigo é ama-lo em dobro, porque por mais que não aprovemos a atitude,ainda continuamos ao lado pra ajudar a corrigir as cagadas.
As suas outras amigas que me desculpem, mas nós três juntas, nos completamos, como um tripé, se uma cai, todas caem junto, e com elas tudo o que elas juntas seguravam, se uma se afasta, todas  as lembranças, a amizade, o companheirismo, tudo se vai.
Sei que não nos vemos com tanta frequência agora, mas entendo o porque da nossa falta de preocupação quanto a isso, não precisamos nos cobrar muito, não precisamos exigir presença, porque o que temos é muito mais que isso, é o tipo de coisa que mesmo que fronteiras e anos nos separem, só significa que fica cada vez maior o que seguramos.
E se isso que nos une não é amor, então que seja o sexo...

P.S.: eu nunca vou arrumar palavras suficientes pra me explicar sobre a última frase, então que se foda, a gente entende.
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Gutter: Friends

Gutter: Friends: "Estavamos falando sobre uma amiga dela. Eu disse: Então vocês são como eu e a rany? Mas logo me arrependi. Não conheço ninguém que tenha uma..."
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rocha

Tô cansada de nunca sentir nada, de ser sempre a rocha mais quente e acolhedora, ainda que impenetrável.
Quero sentir, quero os nervos à flor da pele, quero o calor do ódio me fazendo sentir mais do que raivas momentâneas, cansei de ser tranqüila e a mosca morta que nunca se incomoda com nada, quero inimigos, porque cansei dessa cumplicidade absurda com quem nada merece, e cansei de não me abalar com nada, de não me partir ou derreter com nenhuma atitude cruel ou romântica.
Essa forma fácil que vejo a vida, esse desapego que me agarro sem perceber, nada nunca doer demais que eu não saiba que o tempo cura, quero sentir uma dor tão forte que pareça infinita, mesmo que não seja, quero pensar que preciso de alguém na minha vida, não suporto mais usar corpos sem dar o mínimo valor pra eles, quero precisar de outro corpo junto do meu, mesmo que só me iluda com a reciprocidade.
Preciso me sentir intensa, mesmo que de um modo negativo, porque essa história de ser o modelo de sentimentos que todos queriam ter, me deixa monótona, me deixa morna, quero sentir o gosto de magoar e ser magoada.
A justificativa pro meu jeito de ser poderia ser medo de me machucar, afinal medo é um sentimento intenso, poderia ser só um jeito de me proteger dessa vida que acontece sozinha, sem que possamos controlar, mas não, nem isso.
Não odeio e não amo.
Não sinto dor, e nem prazer.
Não sou triste, mas também não sou feliz.
Não respiro fundo, nem suspiro.
Sou talvez um eterno meio termo.
Não sou a melhor companhia do mundo, mas sei que não sou uma companhia desagradável, nem necessária nem dispensável.
E por fim, sou tão meio termo, que mesmo isso me incomodando, não me tira o sossego, não me faz ter reação alguma.
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Razão & Coração

Não sei muito bem descrever o amor, ou o que se sente quando se está apaixonado por alguém,só sei sobre as reações, frases feitas, suspiros, caras de paisagens, conversas entediantes, apelidos idiotas, mudanças de habito,e eu particularmente não gosto de mudanças, portanto, tudo muito desconhecido pra mim.
Nos últimos tempos tenho presenciado mais de perto um sentimento que por horas me fez sentir falta do que nunca tive, e que até então me vangloriava por não tê-lo. Vi um amor tão simples e que é tão certo, passando por tantas dificuldades, dificuldades essas que me parecem inevitáveis (considerando que o sentimento mais forte que eu tenho é a preguiça) mas que ao meu ver,pra um dos lados não existe dificuldade alguma, é realmente simples e certo como parece ser, mas para o outro lado é realmente inevitável.
Tentando nomear um lado do outro, vou chamar de razão e coração, todos sabem do velho dilema sobre razão e coração, então o coração reage ao amor simples e certo do qual parece se alimentar, e a razão ignora esse amor, mesmo sabendo que ele existe, é como se não alimentasse todos os desejos dela. Mas me pergunto se é inevitável que a razão queira mais do que o coração tem a oferecer, ou se o mundo e seus costumes fizeram com que ela exigisse mais.
De certo modo, pelo meu histórico “insensível” eu entendo e apoio a razão, mas se torna necessário pensar sobre o assunto,assistindo de camarote o coração desconsolável ao ver que todo seu querer é alheio as vontades da razão.
A razão quer viver acima de sentir, quer presença, quer matéria, quer mais do que sua mente disponibiliza, quer materializar tudo o que sonhou, o que imaginou, mesmo que pra isso ela tenha que abrir mão do principal “objeto”, o coração, a razão tem tanto desejo pela vida que passa diante dos olhos, que não parece se importar com quem materializará os sonhos que sonhou com o coração, ela agarra despejando todas as suas vontades obrigatoriamente reprimidas à o que estiver disponível e lhe agradar parcialmente.
Enquanto isso o coração em silêncio tenta reprimir ao máximo sua vontade de gritar e despejar no mundo a sua dor, afinal, como ele mesmo diz, essa é uma dor só sua, e cabe apenas a ele lidar com ela. O que torna esse ato mais belo do que realmente é, é o fato de que o coração sabe que em cada pedaço que se parte, a razão sente,e se esquiva de viver sua própria vida, tentando proteger o coração, e para evitar que sua dor solitária afete a felicidade de quem ele ama, o coração se cala, fantasia alegrias, para que a razão se distraia com seu sorriso, e seus pedaços caiam despercebidos no caminho,enquanto caminham pela mesma estrada, se distanciando talvez sem perceberem.
E talvez ao longo dessa caminhada se encontra o fim, e como tudo o que é clichê no amor, a única explicação a ser dada é uma frase tão clichê quanto: É a vida...
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É aí que acaba a beleza da história, cada um em seu caminho, mas ninguém conta o percurso, existe um que caminha de cabeça baixa, existe um que carrega toda a dor, existe um que ainda sofre, e seguirá talvez todo o percurso sofrendo.
E eu em meu pico de questionamentos, que jamais obterão respostas, me pergunto, até que ponto uma pessoa merece o sofrimento da outra? Quando é a hora e o que tem que acontecer pra não existir mais dor?
Nunca passei por isso e desconfio que nunca terei de passar, sou sentimentalmente incapacitada. E seguindo meu raciocínio, um tanto quanto falho,confesso, começo a entender a mente de alguns homens, e mulheres também, por que não? Passar tanto tempo à mercê da dor,e como proteção tornarem-se pessoas “frias”. É quase compreensível pessoas que “não prestam”, alguém estragou a parte pura. Mas por que todos que um dia sofreram chegam à conclusão de que é melhor seguir uma vida vazia? Quanto eles têm que sofrer pra perceber que o desapego é mais próximo da felicidade?
Ainda que o “coração” tenha a possibilidade de se tornar “razão” de tanto sofrer, acredito que esse amor em especial, que me tocou, me invejou, nesse, eu acredito.
E toda vez que se ouve o tom da voz dele quando fala dela, como alguém que fala de algo maior, com encantamento, faz acreditar que por mais voltas que a vida dê, algumas pessoas são feitas para ficarem juntas no final.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Ela tinha um nojo da dualidade de intenções dos seres humanos que ora amam, ora usam, e preferia a clareza da sacanagem e a certeza do vazio.

-Tati Bernardi.
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sábado, 15 de maio de 2010

Simples e belo


A vida é fácil, é simples...
Teoricamente, sim, se temos o suficiente para sobreviver.
O caso é que poucos conseguem ser felizes com o que tem, levam muito em conta o que falam, importam-se muito por não ter o que os outros tem.
Penso que seria muito feliz com um lugar só meu e dinheiro suficiente para sobreviver, o básico da minha sobrevivência seria: alimento, contas básicas de uma casa, e bebidas.
Sei que seria feliz trabalhando com um emprego simples, mas que não fosse um fardo, recebendo pouco para fazer o que gosto, com pessoas que me fazem bem, e por falar em fazer bem, chegar em casa afim de conversar, e poder ligar para alguns amigos, beber e conversar, ainda não criaram nada mais prazeroso para um grupo de amigos.
Quando não quiser fazer nada, apenas vegetar, sem satisfações pra dar a ninguém, mandar se lixar aquele que diz que você não faz nada da vida, que está perdendo a vida ali. Guardar uns poucos e bons amigos íntimos, aqueles que quando você quer vegetar e manda eles se lixarem, te agarram pelo cabelo e arrastam aonde quiserem, o doce gosto amargo da intimidade, te incomoda, mas te diverte.
Amigos... Por falar neles, o que seria de uma vida sem amigos?
Leve, simples, essencial. Tão fácil e necessário quanto respirar.
Não existe amizade dramática, ela serve pra tirar o peso dos problemas, o peso de um amor quem sabe, se eu tivesse que definir a amizade e o amor, seria, amizade é a hora em que se bebe, é caloroso mesmo quando todo o resto é frio, tudo é mais divertido, a risada é mais solta, entrega-se com mais facilidade, há mais atenção ao ouvir o outro... O amor seria a ressaca, ou algo que em excesso te faz mal, como alguém que bebe sem autocontrole, momentos divertidos que cedo ou tarde se tornaram em uma dor de cabeça, em arrependimento, e uma vontade súbita de por tudo pra fora, o mesmo que te fez bem, agora não te importa tanto, tudo o que deseja é acabar com aquele sentimento que te deixa confuso, tonto, com a cabeça pesada, sem forças... E falo isso baseado nas minhas experiências, com bebida é claro, considerando o fato de nunca ter amado alguém nesse sentido.
Pode haver quem não concorde comigo, mas no meu ponto de vista o que faz mais feliz são coisas simples e belas...
Simples como a amizade, que com naturalidade você se entrega, diverte, sem dramas, felicidade e ponto. Bela pelo sentimento de liberdade, pelo momento que você depara com os olhares sinceros trocados com um sorriso no rosto, com o momento seguinte a uma história engraçada, em que todos soltam uma risada gostosa... A vida assim como a amizade, é simples e bela, só precisamos parar de complicar.
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