A maioria das coisas mais relevantes e bonitas que já escrevi foram nesse horário, a solidão e o silêncio da madrugada nos permitem ouvir pensamentos que passam despercebidos durante o dia.
Seria muita pretensão minha falar sobre escrever algo, quando tudo o que faço nesses momentos é escrever o que penso, claro que um pouco filtrado, já que os pensamentos são uma bagunça que as vezes não dá de traduzir em palavras, e as vezes são pensamentos só nossos, que certamente seriam mal interpretados se tentassemos explicar.
Bom, considerando a minha dificuldade em proferir palavras, a minha voz exitando, trêmula e gaguejante, os meus olhos inquietos que não conseguem sustentar um olhar, me apoio então ao fato de conseguir usar uma caneta, sabendo a quem endereçar o texto, mas sem ter uma noção exata do que colocar nele, me baseando em um par de sentimentos bons que me invadem na maior parte do tempo em que estas ao meu redor.
Estou quase convencida de que esse seja o sentimento mais “mágico” que lembro ter vivenciado, daqueles que te prendem num momento simples, ou que fazem você cometer algumas loucuras e correr alguns riscos.
Fazer coisas insanas não é algo que me intimida, o que me amedronta é correr riscos, e me ver seguindo sua cartilha de “fazer o que tem vontade”, me importando apenas com o agora.
Sempre fui adepta dessa mesma lição de vida, mas nunca estive tão envolvida na magia do momento quanto me vejo agora, e esse descontrole sobre minhas emoções, sobre minhas demonstrações de afeto, conseguem ser mais fortes que meu autrocontrole gélido que aninhava minha consciência.
É como se esse turbilhão de sentimentos que assombra a tua personalidade cativasse de forma irreversivel esse vicio de me adaptar ao teu jeito, de adimirar até os seus defeitos, de me irritar com tua confusão interna, e de tentar compreender suas sessões de auto tortura.
Não, não existe nada a ser mudado em você, mas existem pontos a serem melhorados, como existe pra todo mundo, mas seu maior erro é não se aceitar, te falta um pouco de revolta com o mundo, te falta gritar suas magoas para que o mundo inteiro ouça sua insatisfação, e que esse grito de libertação calem as vozes que inibem sua personalidade, vozes essas que desmerecem tamanha atenção e dedicação que reservas a elas, esquecendo até de ouvir tua própria voz.
Que um dia sejas capaz de te deixar contagiar pela sua própria risada, como contagias a todos os outros, que um dia cada uma das risadas que te entregam, tragam ao menos metade da felicidade que mereces, que encontres quem mereça a rendição da tua risada mais encantada.
E que independente do rumo que essa nossa “coisa louca” siga, que sejamos capazes de guardar a liberdade que nos proporcionou, as lições que tiramos, a segurança no caráter de um outro alguém, e que um dia no futuro, ao lembrar dos momentos, ainda possa existir uma pontinha nostalgica dessa dor no estomago.
Pois só com você eu consigo fixar meu olhar, mesmo que eles estejam assustadoramente perto um do outro, olhar nos seus olhos, de igual pra igual, sem medo de má interpretação, só com você existe uma proximidade incomum pro meu ser, por ser mais próximo que minha defesa costuma permitir, só com você meus sussurros tem mais a dizer que meus gritos, só com você o tempo passa voando, incapaz de fazer eu me enjoar da tua presença.
“De amigo a gente não enjoa.”

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