Se nos momentos de felicidade eu não estou ao seu lado, não é porque não te valorizo mais, é apenas porque dei preferência aos momentos difíceis, é bom te ver sorrindo e doloroso te ver chorar, mas quero mesmo é ser a pessoa que te faz sorrir quando a tua vontade é chorar.
Há 1 ano, nesse mesmo horário, te ouvia chorar no telefone,me dizendo que não queria comemorar, que ia ficar em casa, e de alguma forma te ouvir chorar me fez ser grossa o suficiente pra conseguir te tirar de casa.
Ás vezes amizade é isso, é pegar pelos cabelos e dizer o que tem que fazer, sabe, ás vezes a cabeça oca, a má influência, a porra louca, a rebelde que só faz coisa errada, sabe o que é melhor pras pessoas que ama, e se aquela noite não foi uma noite feliz, tenho certeza que as poucas amigas que se reuniram contigo aquele dia fizeram de tudo pra tornar a melhor noite possível.
Quero estar presente em todos esses futuros anos de envelhecimento, nesses que agora são comemorativos e felizes, e nos futuros, que vou rir quando tu soprar 300 velas, bem velhinha sem fôlego pra apagar nenhuma, e tirar foto quando a tua dentadura cair em cima do bolo, e a Helena ficar brava porque tu estragou o bolo que ela fez, ou na crise dos 30, que todo mundo começa a mentir a idade. De qualquer forma, você vai ter que me engolir.
Lembrei de quando nós três estávamos deitadas no sofá do shopping, conversando sobre como seremos quando estivermos caquéticas, indo as compras enlouquecendo os vendedores, e tu falando que iam estar tu e a Helena, sentadas no sofá em casa vendo TV, a Helena fazendo tricô, e tu apontando pra TV dizendo: olha a Rany ta no protesto pelada.
É lindo a imagem que tu tem de mim, comovente eu diria, mas falando sério, é bonito porque somos o exemplo de aceitação, aceitar o egocentrismo da Helena, a tua indecisão com absolutamente tudo, e aceitar tudo de podre que existe em mim, (não vou fazer lista, ok?), aceitar as diferenças de um amigo é ama-lo em dobro, porque por mais que não aprovemos a atitude,ainda continuamos ao lado pra ajudar a corrigir as cagadas.
As suas outras amigas que me desculpem, mas nós três juntas, nos completamos, como um tripé, se uma cai, todas caem junto, e com elas tudo o que elas juntas seguravam, se uma se afasta, todas as lembranças, a amizade, o companheirismo, tudo se vai.
Sei que não nos vemos com tanta frequência agora, mas entendo o porque da nossa falta de preocupação quanto a isso, não precisamos nos cobrar muito, não precisamos exigir presença, porque o que temos é muito mais que isso, é o tipo de coisa que mesmo que fronteiras e anos nos separem, só significa que fica cada vez maior o que seguramos.
E se isso que nos une não é amor, então que seja o sexo...
P.S.: eu nunca vou arrumar palavras suficientes pra me explicar sobre a última frase, então que se foda, a gente entende.
